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Desengajamento das lideranças acende alerta sobre saúde das empresas
Com apenas 27% dos gestores engajados, empresas precisam rever metas, suporte emocional e modelos de gestão para evitar perda de produtividade
O desengajamento nas empresas deixou de ser um problema restrito às equipes operacionais. Cada vez mais, ele aparece também entre lideranças, justamente o grupo responsável por orientar decisões, inspirar times e sustentar a produtividade no dia a dia.
A queda no engajamento dos gestores funciona como um termômetro da saúde organizacional. Quando líderes estão motivados e comprometidos, aumentam as chances de crescimento, inovação e vantagem competitiva. Quando estão desengajados, o impacto se espalha pela cultura, pelo clima interno e pelos resultados.
Dados do State of the Global Workplace 2025 indicam que apenas 27% das lideranças se consideram engajadas no trabalho. O cenário ajuda a explicar por que muitas empresas enfrentam dificuldades para manter equipes produtivas e conectadas aos objetivos do negócio.
Segundo Ary Gatto, CEO da Runtalent, empresa especializada em soluções digitais, parte desse quadro está relacionada ao adoecimento psíquico de profissionais que ocupam cargos de gestão. Levantamento da Harvard Business Review aponta que 96% das lideranças relatam altos níveis de estresse causados pelo excesso de trabalho, enquanto 33% afirmam estar cronicamente esgotados.
Pressão por resultados cobra um preço
A busca por performance tem aumentado a demanda emocional sobre quem lidera. Metas agressivas, decisões constantes, cobrança por produtividade e responsabilidade sobre equipes colocam gestores em um estado permanente de pressão.
O problema é que, quando a liderança adoece ou perde conexão com o trabalho, a empresa também perde capacidade de mobilizar pessoas.
Esse impacto não fica restrito ao ambiente interno. Segundo relatório da Sodexo, a queda na motivação e no envolvimento dos profissionais gerou perda de US$ 438 bilhões em produtividade no mundo.
Desengajamento precisa virar indicador estratégico
Para Ary Gatto, não existe solução simples para um problema tão complexo. O desengajamento precisa ser acompanhado com a mesma atenção dedicada a outros indicadores de desempenho.
Isso significa rever metas excessivamente agressivas, criar ações consistentes de apoio à saúde mental e oferecer condições reais para que lideranças consigam atuar com equilíbrio.
Empresas de diferentes setores já vêm adotando programas estruturados de bem-estar, com palestras, workshops e ações educativas voltadas à saúde física e emocional. Essas iniciativas criam espaços de escuta, reflexão e preparo para lidar melhor com a pressão dos cargos de gestão.
Desenvolvimento de liderança ganha força
Além do cuidado emocional, programas de desenvolvimento contínuo têm se tornado fundamentais. Trilhas de capacitação em gestão, comunicação, tomada de decisão e relacionamento com equipes ajudam líderes a enfrentar desafios com mais preparo.
Esse movimento reforça uma mudança importante: liderança não pode ser sustentada apenas por cobrança. Precisa de suporte, formação e ambiente favorável.
Clima organizacional é base para o futuro do trabalho
O clima organizacional funciona como alicerce para a saúde e o sucesso do negócio no longo prazo. Ele aparece nas práticas do cotidiano, na escuta ativa, no equilíbrio entre cobrança e apoio e na forma como a empresa trata o bem-estar dos colaboradores.
Sem esse olhar para o contexto organizacional como um todo, a tendência é que o futuro do trabalho se torne menos sustentável.
Quando empresas não oferecem condições para que lideranças performem bem, o problema deixa de ser individual. Torna-se estrutural — e pode comprometer resultados por muitos anos.
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